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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Brasileirão 2014: No fim, G5

Muito se falou durante a edição de 2014 do Campeonato Brasileiro de futebol se teríamos um G4, G5 ou até G3, que era possível. Tudo isso em função das cinco vagas que os times do Brasil tem direito na tão desejada Taça Libertadores da América.


O que é definido pela CBF, entidade máxima do futebol, é que quatro clubes se classificam pelo campeonato nacional e um quinto pela Copa do Brasil, tradicional torneio mata mata do País. Apenas a Sul-Americana poderia alterar isso, caso o campeão fosse brasileiro. Neste caso, ele "roubaria" a vaga do quarto colocado do Brasileirão.


Em certo momento do campeonato, os quatro sobreviventes da Copa do Brasil eram Cruzeiro, Santos, Atlético-MG e Flamengo. Enquanto os dois mineiros sempre figuraram no topo da tabela, a dupla de Rio-SP esteve em maior parte do campeonato na parte intermediária.

Assim, para que o G4 virasse G5, era necessário que Raposa ou Galo fosse campeão, para que não houvesse muita confusão na parte de cima. Neste tempo, antes que os mineiros garantissem vaga na final, o criticado Mano Menezes, do Corinthians, defendeu-se de críticas dizendo que o time dele estava no G5 naquela oportunidade.

Como o Galo era um dos quatro primeiros colocados à época, o treinador corintiano debruçou-se nessa teoria e ironizou a imprensa paulista, uma vez que o Timão era o 5º colocado. No fim, após as 38 rodadas, o Corinthians seria o 4º colocado, enquanto o Atlético-MG foi o 5º, ambos classificados para a Taça.


Desta forma, o G4 foi mesmo G5, mesmo que a vaga do alvinegro mineiro acabou vindo pela Copa do Brasil. O título do certame mais importante do País ficou com o Cruzeiro, enquanto São Paulo e Internacional ficaram com as outras duas vagas.


Assiduidade no G4 - Coincidência ou não, os clubes que mais tempo passaram no G4 foram aqueles que garantiram a vaga na Taça Libertadores pelo Campeonato Brasileiro. O campeão Cruzeiro foi recordista, com 36 das 38 rodadas no pelotão. Em seguida, vieram Internacional, com 28 rodadas, São Paulo, com 27, e Corinthians com 25.

Enquanto o Atlético-MG esteve no G4 por nove rodadas, os dois principais postulantes que ficaram de fora da competição sul-americana foram Fluminense e Grêmio, com 13 e seis rodadas, respectivamente.

O Flu esteve no G4 por 12 vezes entre a 1ª e a 15ª rodada, aparecendo de novo apenas uma vez, na 32ª. Já o Tricolor gaúcho, do técnico Luis Felipe Scolari, que reclamou de perseguição, esteve no G4 da 5ª a 7ª rodada e depois apenas na 27ª,  33ª e 34ª. Será que ele estava certo de reclamar?

Em resumo, o campeonato,  na parte de cima da tabela, beneficiou aqueles que mais regularidade tiveram durante o torneio.
Assim como os quatro do G4 estiveram mais tempo no grupo de classificados a Libertadores, na definição do título Cruzeiro e São Paulo fizeram valer as estatísticas. Os mineiros estiveram na liderança por 33 das 38 rodadas e os paulistas na vice em 19 rodadas. Justiça feita. Que venha logo a temporada 2015!

terça-feira, 5 de março de 2013

O preço (caro) do ingresso no futebol brasileiro

Após uma semana de jogos importantes com públicos pequenos perto da grandeza desses confrontos, realizados entre algumas das principais equipes do Brasil, resolvi fazer um análise do porquê disso ocorrer.

Antes de argumentar sobre o tema, coloco aqui em destaque os jogos que levo como base para fazer a análise. São sete, cinco em São Paulo e dois no Rio de Janeiro:

23.1) São Paulo 5x0 Bolívar - Morumbi - 1ª Fase da Libertadores
Público: 41.838 pagantes / Renda: R$ 1.383.036,00
14.2) Palmeiras 2x0 S.Cristal - Pacaembu - Fase de Grupos Libertadores
Público: 17.744 pagantes / Renda: R$ 680.550,47
24.2) Palmeiras 1x0 Barbarense - Pacaembu - 1ª Fase do Paulista
Público: 19.128 pagantes / Renda: R$ 476.310,00
28.2) São Paulo 2x1 Strongest - Morumbi - Fase de Grupos Libertadores
Público: 31.273 pagantes / Renda: R$ 918.305,00
02.3) Vasco 3x2 Fluminense - Engenhão -  Mata-mata 1ª Fase Carioca
Público: 15.960 pagantes / Renda: R$ 449.910,00
03.3) Flamengo 0x2 Botafogo - Engenhão - Mata-mata 1ª Fase Carioca
Público: 17.554 pagantes / Renda: R$ 831.380,00
03.3) Santos 0x0 Corinthians - Morumbi - 1ª Fase do Paulista
Público: 17.155 pagantes / Renda: R$ 514.874,00

Como se pode ver, a questão está muito mais relacionada ao preço do ingresso e a importância da partida, do que o adversário em questão.

Assim, no meu raciocínio lógico, coloquei os jogos recentes que chamaram atenção pelo baixo público, duas semifinais no Rio de Janeiro (clássicos estaduais) e um clássico paulista neste último fim de semana, e também dois jogos de Palmeiras e dois jogos do São Paulo, para fazer um comparativo.

CASO SÃO PAULO
No seu primeiro jogo importante do ano, onde valia a classificação para a fase de Grupos da Libertadores, o torcedor são-paulino "lotou" as arquibancadas do Morumbi. Mais de 41 mil pagantes, renda de mais de 1 milhão de reais. Média do ingresso de R$ 33,05.

Já na primeira partida em casa como mandante na fase de grupos, apenas 31 mil torcedores (se comparado ao jogo anterior) e uma renda de quase 1 milhão. 29,36 reais foi a média do ingresso. Em ambos os jogos, os preços foram os mesmos, porém no segundo o ingresso médico caiu em quase 4 reais. Isso se explica pelo setor popular, a 10 reais (arquibancada amarela).

Em ambos jogos esse setor esteve praticamente cheio. Ou seja, a faixa dos 10 mil torcedores que tivemos a mais no jogo contra o Bolívar, se concentrou em todos outros setores, elevando a renda e o ingresso médio. A questão que fica aqui é: e se não houver esse setor? O torcedor que pagou 10 reais pagaria 40 ou 50 para ficar na mesma ou em outras arquibancadas? Ele teria esse poder aquisitivo?

A conclusão que faço, é que ao mesmo tempo em que barateia para uns, a diretoria do São Paulo encarece para outros. Sugestão? Colocar o setor popular de 10 para 20. E baixar o de 40 reais para 30, o de 50 reais para 40. Na próxima quinta-feira, em jogo no Pacaembu, contra o Arsenal, o ingresso mais barato será a 40 reais. Sinceramente? Aposto em estádio vazio (menos de 15 mil pagantes). Basta ver o próximo exemplo para entender.

CASO PALMEIRAS
O Verdão iniciou a Libertadores em casa, contra um adversário modesto, o Sporting Cristal. Acreditei que na volta do clube ao torneio continental, teríamos um ótimo público no Pacaembu. Porém, o que se viu foi que apenas 17 mil pessoas foram ao jogo, com um ingresso médio de R$ 38,35 reais. Ou seja, muito caro. O ingresso mais barato era o tobogã, por 40 reais (inteira).

No jogo seguinte, pelo Paulista, o presidente Paulo Nobre resolveu baixar o preço dos ingressos. Ou seja, nós saímos da Libertadores, para o Paulistinha. Pergunte ao torcedor qual a importância de ambos campeonatos e qual ele prefere ganhar?

O tobogã que era 40, caiu para 20. As arquibancadas de 50, para 30. Ou seja, 20 reais a menos nos principais setores populares de um estádio. Resultado disso? O público foi maior, apesar da renda ser menor. O novo presidente se declarou muito feliz com público. Ingresso médio de R$ 24,90.

Quem olha os dois públicos sem ver as rendas, deve achar que o torcedor do Palestra ficou maluco. Mas após uma análise mais a fundo, já fica claro o motivo. O que vale para o torcedor, a não ser quando o time  vive um momento "Corinthians", ou seja, títulos e alegria todo dia, é o preço que vai gastar.

Aqui, percebe-se a diferença entre diretoria de São Paulo e Palmeiras. Uma quer ver o estádio mais cheio possível. A torcida é sempre importante, quanto mais, melhor. Já o outro, só quer dinheiro no bolso. Sinceramente, apesar de ser o mais barato dos quatro jogos analisados, acho que o ingresso médio a 25,00 reais é mais justo, ou melhor, mais realista, do que, 30 ou 40 reais.

CLÁSSICOS DO FIM DE SEMANA
No clássico de São Paulo, a diretoria do Santos levou o duelo contra o Corinthians para o Morumbi, pois o clube havia perdido um mando de jogo, por conta de moedas jogadas em Paulo Henrique Ganso no clássico contra o São Paulo, na Vila.

Assim, o que se viu no estádio Tricolor foi uma casa vazia. Apenas 17 mil pessoas para um jogo, que na teoria seria de alto nível, mas que na prática foi muito fraco. Ingresso médio: 30 reais.

Ou seja, um clássico em campo neutro, em uma primeira fase de Paulista, que cá entre nós não vale nada, teve estádio vazio com um ingresso médio que não foi dos mais caros. Como explicar isso? De um lado era Neymar, de outro Alexandre Pato. Talvez o Pacaembu ou até mesmo a Arena Barueri eram opções melhores.

Já nas semifinais do Rio de Janeiro, o torcedor carioca mostrou que o que vale mesmo é o peso da torcida. 15 mil pagantes para Vasco x Fluminense e 17 para Flamengo x Botafogo, acredito eu, é muito pouco. O ingresso médio não foi dos mais altos no sábado: 28,18 reais. Já no domingo... R$ 47,36. O mais caro de todos os 7 jogos analisados aqui.

Assim, quem diz que não vai ao Engenhão pela distância, só engana a si mesmo. Pois mesmo com o ingresso muito mais caro, a torcida do Flamengo (maior parte, 71%) e a do Botafogo (menor parte, 29%) conseguiram encher mais o estádio que Fluminense e Vasco.