Desde o início de 2013 voltei a escrever com mais frequência aqui no Blog Futebol Paulistano. Porém, no início da semana me dei conta de que não havia feito meu post comentando o resultado de São Paulo 1x1 Arsenal Sarandí, em partida válida pela 3ª rodada do Grupo 3 da competição mais importante da América do Sul.
Assim, aproveito o espaço para escrever sobre o duelo da última quinta-feira e também para tentar traçar as possibilidades da equipe do Morumbi, que pode até se classificar empatando todos os 3 jogos que restam, desde que haja uma ótima combinação de resultados a seu favor.
O JOGO
O Arsenal da Argentina repetiu a mesma fórmula do The Strongest, jogando na defesa e explorando contra-ataques e erros do time paulista. Apesar de ser uma equipe um pouco inferior ao Strongest tecnicamente, o Arsenal teve mais sorte que o time da Bolívia.
Enquanto o Strongest enfrentou o São Paulo em um péssimo dia, mas acabou sofrendo a derrota por 2x1, o time de Sarandí enfrentou o Tricolor na melhor apresentação da equipe até o momento, mas soube aproveitar o nervosismo dos donos da casa para levar um ponto para Argentina.
No primeiro tempo, enquanto o São Paulo teve diversas oportunidade, o Arsenal só teve uma chance já no finzinho da partida. Em seguida, quando o jogo caminhava para o intervalo sem gols, Jadson aproveitou ótima assistência de Aloísio para abrir o placar.
Na volta da etapa final, 5 minutos de apagão tricolor foram suficientes para o empate. O árbitro, com muita vontade e determinação, deu um pênalti altamente duvidoso de Cortez, quando no cruzamento a bola explodiu em sua mão. Na cobrança, Rogério ficou no centro do gol, e o atacante argentino não teve problema para empatar.
Nos 40 minutos restantes, o São Paulo teve mais a posse de bola, finalizações perigosas, boa movimentação do ataque, mas a ansiedade foi o pior inimigo. Placar justo ou injusto, fato que o time do Morumbi tem pela frente uma tabela complicada e terá que jogar muito mais para não cair precocemente na competição.
GRUPO 3
Ao término do primeiro "turno", no Grupo 3 a briga pela segunda vaga está embolada. Com 9 pontos, o Atlético-MG terá 3 jogos para fazer ao menos 3 pontos, ou seja, nada difícil. Basta ganhar do Arsenal em casa, que o time de Cuca se classifica.
Já São Paulo (4 pontos), The Strongest (3 pontos) e Arsenal Sarandí (1 ponto) disputarão ponto a ponto a última vaga. Ao Tricolor, a dura missão de enfrentar os dois adversários fora de casa, e o líder no Morumbi. Ou seja, nenhum dos jogos podemos cravar vitória, bem como dizer que não ganhará nenhum dos duelos restantes.
A questão ficará por conta do aproveitamento do Atlético-MG, que será o maior aliado Tricolor, se não perder os dois jogos seguintes, contra Strongest (na Bolívia) e Arsenal (em Minas Gerais), mas que ao mesmo tempo pode se tornar um vilão, se dificultar a vida tricolor no Morumbi, dia 17 de abril.
Entre amanhã (quarta-feira, 13.3) e quinta-feira (14.3), a situação poderá estar bem encaminhada para o time de Ney Franco, caso São Paulo e Atlético-MG vençam, ou bem ruim, caso não vença na Argentina e o Galo não tenha um bom jogo em La Paz.
Assim, não é possível dar nenhum prognóstico. Qualquer palpite nesse momento, seria mero chute em relação ao andamento do Grupo 3, que promete fortes emoções até o fim da primeira fase.
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terça-feira, 12 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
Em campo, Palmeiras e Corinthians são derrotados. Fora dos gramados, muita polêmica nessa quinta-feira
Na noite desta quarta-feira, Palmeiras e Corinthians entraram em campo pela 3ª rodada da fase de grupos da Taça Libertadores 2013. Ambos foram derrotados, jogando fora de casa, contra equipes tecnicamente inferiores.
SEP - DENTRO DO GRAMADO
O Verdão abriu a noite das equipes brasileiras, enfrentando o Tigre em Victória, na Argentina. Apesar de não ter um time forte no papel, o Palmeiras tecnicamente era muito superior ao adversário.
Porém, o que ficou muito nítido em todos os 90 minutos de jogo, é que a equipe de Gilson Kleina foi para o duelo atrás do empate. Sim, jogou para empatar. Isso foi muito claro.
Nos momentos que era para crescer na partida, o Verdão se retraia. O torcedor palmeirense se acostumou com o Alviverde dos anos 1990, que era implacável. O time dos últimos 10 anos se resume a isso, falta de coragem para vencer.
O preço a pagar saiu mais caro do que se imaginava. Faltando poucos minutos para o término do jogo, o recém contratado Kléber tentou o impensável. Saiu na cara do gol, driblou o zagueiro e, ao invés de chutar, tentou riscar de novo o mesmo marcador.
Aos 49 minutos da etapa final, não mais nem menos, o Tigre fez o gol da vitória. Derrota que não estava nos planos de ninguém, nem do próprio time da casa.
SEP - FORA DE CAMPO
Fora dos gramados, a torcida do Palmeiras agiu como é de seu costume. Foi ao aeroporto de Buenos Aires, o Aeroparque, para agredir os jogadores. Na verdade, o foco era um: Valdivia.
Como num ato de mágica, o chileno desapareceu, fugindo para banheiro. Sobrou para Fernando Prass, com um corte na cabeça, e para Henrique e Bruno, que tentaram dialogar com os marginais.
No fim das contas, o episódio em nada ajuda o Palmeiras, que tem vida difícil na competição, e que no próximo domingo enfrenta o São Paulo, no Morumbi, pelo Paulista.
SCCP - DENTRO DE CAMPO
O Corinthians descobriu que não é só a altitude que preocupa os brasileiros em partidas pela America do Sul a fora. No México, mais precisamente em Tijuana, divisa com os EUA, o fator que se sobressai é o gramado artificial.
Apesar de uma equipe bem montada, que ataca bem e defende melhor ainda, o Tijuana tem como principal aliado o gramado, pouco visto em estádios brasileiros.
Assim, neste contexto, caiu a invencibilidade de 16 jogos do time de Tite na Taça. 14 jogos em 2012 e 2 jogos em 2013. A vitória dos donos da casa, que agora somam 3 vitórias em 3 jogos, saiu em um lance irregular. Bola parada, jogador A a frente do jogador B, fato ignorado pela arbitragem.
Não existe derrota boa, mas acredito que este peso da invencibilidade poderia atrapalhar daqui pra frente, ou seja, o Timão jogará os próximos jogos sem se preocupar com recordes pouco importantes.
SCCP - FORA DE CAMPO
A Conmebol, entidade máxima do futebol sul-americano, julgou o Corinthians em relação a morte do jovem boliviano Kevin Espada. E, como se noticiava, a pena foi diminuída.
Agora, o Timão apenas não poderá ter torcida nos jogos fora de casa (por 18 meses) e terá que pagar 200 mil dólares de multa.
Um preço muito barato perto de uma vida. O Corinthians não tinha culpa da atitude do seu torcedor, isso é um fato. Mas uma punição era necessária nesse momento. Doesse quem tivesse que doer.
Assim, a Confederação Sul Americana volta a ser o que era antes. Uma entidade varzeana, sem muitos princípios e organização. Continuarão morrendo torcedores, brigas também ocorrerão, e a segurança nos estádios será um problema eterno.
SEP - DENTRO DO GRAMADO
O Verdão abriu a noite das equipes brasileiras, enfrentando o Tigre em Victória, na Argentina. Apesar de não ter um time forte no papel, o Palmeiras tecnicamente era muito superior ao adversário.
Porém, o que ficou muito nítido em todos os 90 minutos de jogo, é que a equipe de Gilson Kleina foi para o duelo atrás do empate. Sim, jogou para empatar. Isso foi muito claro.
Nos momentos que era para crescer na partida, o Verdão se retraia. O torcedor palmeirense se acostumou com o Alviverde dos anos 1990, que era implacável. O time dos últimos 10 anos se resume a isso, falta de coragem para vencer.
O preço a pagar saiu mais caro do que se imaginava. Faltando poucos minutos para o término do jogo, o recém contratado Kléber tentou o impensável. Saiu na cara do gol, driblou o zagueiro e, ao invés de chutar, tentou riscar de novo o mesmo marcador.
Aos 49 minutos da etapa final, não mais nem menos, o Tigre fez o gol da vitória. Derrota que não estava nos planos de ninguém, nem do próprio time da casa.
SEP - FORA DE CAMPO
Fora dos gramados, a torcida do Palmeiras agiu como é de seu costume. Foi ao aeroporto de Buenos Aires, o Aeroparque, para agredir os jogadores. Na verdade, o foco era um: Valdivia.
Como num ato de mágica, o chileno desapareceu, fugindo para banheiro. Sobrou para Fernando Prass, com um corte na cabeça, e para Henrique e Bruno, que tentaram dialogar com os marginais.
No fim das contas, o episódio em nada ajuda o Palmeiras, que tem vida difícil na competição, e que no próximo domingo enfrenta o São Paulo, no Morumbi, pelo Paulista.
SCCP - DENTRO DE CAMPO
O Corinthians descobriu que não é só a altitude que preocupa os brasileiros em partidas pela America do Sul a fora. No México, mais precisamente em Tijuana, divisa com os EUA, o fator que se sobressai é o gramado artificial.
Apesar de uma equipe bem montada, que ataca bem e defende melhor ainda, o Tijuana tem como principal aliado o gramado, pouco visto em estádios brasileiros.
Assim, neste contexto, caiu a invencibilidade de 16 jogos do time de Tite na Taça. 14 jogos em 2012 e 2 jogos em 2013. A vitória dos donos da casa, que agora somam 3 vitórias em 3 jogos, saiu em um lance irregular. Bola parada, jogador A a frente do jogador B, fato ignorado pela arbitragem.
Não existe derrota boa, mas acredito que este peso da invencibilidade poderia atrapalhar daqui pra frente, ou seja, o Timão jogará os próximos jogos sem se preocupar com recordes pouco importantes.
SCCP - FORA DE CAMPO
A Conmebol, entidade máxima do futebol sul-americano, julgou o Corinthians em relação a morte do jovem boliviano Kevin Espada. E, como se noticiava, a pena foi diminuída.
Agora, o Timão apenas não poderá ter torcida nos jogos fora de casa (por 18 meses) e terá que pagar 200 mil dólares de multa.
Um preço muito barato perto de uma vida. O Corinthians não tinha culpa da atitude do seu torcedor, isso é um fato. Mas uma punição era necessária nesse momento. Doesse quem tivesse que doer.
Assim, a Confederação Sul Americana volta a ser o que era antes. Uma entidade varzeana, sem muitos princípios e organização. Continuarão morrendo torcedores, brigas também ocorrerão, e a segurança nos estádios será um problema eterno.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Minha primeira ida sozinho a um estádio de futebol
Ainda bastante incomodado com a história do jovem boliviano de 14 anos, Kevin Douglas Beltran Espada, morto com um tiro de sinalizador naval atingindo seu rosto após esta "arma" ser disparada por um torcedor do Corinthians, dentro do estádio do San José, em Oruro, Bolívia, comecei a relembrar o meu primeiro jogo sozinho em um estádio de futebol.
Diferentemente de Kevin, que percorreu 230 km para assistir sua primeira partida em um campo de futebol acompanhado de amigos e responsáveis, o primeiro jogo que me recordo de ter ido sozinho foi aos 12 anos de idade, porém na rua de casa. Nascido em Belo Horizonte, mas criado na Rua Turiassu, em São Paulo, a 500 metros do estádio Palestra Itália, no ano de 2000 foi a primeira vez que meu pai me autorizou a ir ao estádio só.
Daquele dia em diante, só fui cair na estrada pela primeira vez sozinho já em 2009, aos 21 anos de idade. Muito tempo depois da primeira partida do lado de casa, dessa vez eu ia conhecer o gigante Maracanã. Tomei um ônibus na Rodoviária do Tietê na manhã daquele dia 10 de outubro, feriado de Nossa Senhora de Aparecida, e parti rumo a Cidade Maravilhosa.
Já tinha meus 21 anos e fui com bastante receio, e também muito contra vontade de meu pai, que nos tempos de jovem cansou de viajar a Belo Horizonte para assistir o Cruzeiro de Tostão jogar, ou ao Maracanã assistir Zico e cia. Até hoje, já tenho 25 anos, qualquer frase que eu falo para o velho "acho que vou para Curitiba" ou "acho que vou para Porto Alegre" acredito que meu pai perde uns fios a mais de cabelo.
Voltando a história, a partida escolhida foi simplesmente uma final de Copa Mercosul. Nos anos de 1998, 1999 fui em muitas partidas do Palmeiras, umas por esse mesmo torneio continental, vencido pelo Verdão dois anos antes, outras por campeonatos como Paulista, Brasileiro e Copa do Brasil. Era do lado de casa. Ingresso nunca foi problema, tempo também nunca me faltou. Era só atravessar a Av. Pompéia e caminhar 300 metros.
Era dia 20 de dezembro de 2000. Convenci o velho a me deixar ir ao jogo. Setor muito bem escolhido: torcida do Vasco. Em Minas Gerais e São Paulo sempre tive times de preferência, mas no Rio de Janeiro já tive simpatia pela maioria, mas acredito que pela rivalidade com o Estado de São Paulo, nunca cheguei a torcer pela vitória de algum com muita vontade.
Encolhidos no cantinho do Parque Antártica, no espaço dos visitantes que ficava bem próximo ao conjunto aquático, no primeiro tempo assisti o Palmeiras fazer 3x0. Curiosamente, todos os três gols do lado oposto de onde eu estava. Confesso que para o visitante, ali a visão é péssima. Arce, Magrão e Tuta marcaram para o time da casa.
No intervalo o que se via era a torcida do Vasco desolada. Já aceitando a derrota, que daria ao Palmeiras o bicampeonato do torneio. Porém, o inacreditável aconteceu. O Vasco viraria a partida, com 3 gols do baixinho Romário e um do também baixinho Juninho Paulista. De novo todos os gols seriam marcados ao lado aposto de onde eu estava. Muita sorte, não?
Não sei se nunca esquecerei dessa partida pelo resultado, uma virada de 3x0 para 4x3, que não acontece todo dia, ou se porque pela primeira vez presenciei a idolatria de uma torcida pelo seu comandante. Não digo que o comandante era o técnico ou o artilheiro da camisa 11, mas sim o presidente, Eurico Miranda.
Cresci com duas noções futebolísticas muito definidas pelo meu pai: nunca gostar do Vasco, pois Eurico Miranda representava algo que ele detestava, e também nunca torcer pelo Alvinegro de Parque São Jorge, que pra ele era a regra 1 para eu poder assistir futebol. Ao fim da partida, os torcedores gritavam tanto o nome de Eurico, quanto dos jogadores e do time.
No dia seguinte, para piorar o desgosto do meu velho, meu tio vascaíno, casado com sua irmã, entrou em casa gritando "Vaaascccoooo". Naquele dia, a reação do meu pai foi tanta, que eu nunca mais simpatizei com o time da Colina de novo. Creio que durou apenas algumas horas na noite anterior.
Agora, o porquê dessa história? Bom, tento me colocar no lugar dos pais de Kevin, pois não saberia como reagir se fosse um filho, parente ou amigo meu. E reflito muito acreditando que um incidente desse poderia acontecer com qualquer um. Ou melhor, não deveria, mas infelizmente acontece.
Um dos fatos atenuantes deste caso na minha visão, é que a morte ocorreu dentro do estádio. Sinceramente, não me lembro a ultima vez que um torcedor morreu dentro de um estádio por conta da violência. No começo dos anos 1990, na Batalha campal do Pacaembu, ocorreu uma guerra entre Palmeiras e São Paulo. Imagino o que não repercutiu.
Infelizmente, por mais irônico que pareça, hoje em dia estamos "acostumados" com as mortes nos entornos dos estádios, ou em encontros que os vândalos marcam antes ou depois dos clássicos. Mas raramente dentro do estádio, com a bola rolando.
E pior do que isso. Quando bandidos se matam em encontros marcados, muitos de nós pensamos "o cara também procurou", "problema é dele". Agora, no caso de Kevin, é algo muito, mas muito indignante. Ele estava lá simplesmente para ver seu time estrear na Taça Libertadores 2013, e não conseguiu assistir mais do que 5 minutos de jogo.
Bom, aproveito este espaço e pergunto a você, raro e caro leitor, qual foi sua primeira partida, com e sem algum responsável? Você deixaria seu filho ir com 12 ou 14 anos a um estádio sozinho? Depois do ocorrido da semana passada, hoje, minha resposta seria não.
Diferentemente de Kevin, que percorreu 230 km para assistir sua primeira partida em um campo de futebol acompanhado de amigos e responsáveis, o primeiro jogo que me recordo de ter ido sozinho foi aos 12 anos de idade, porém na rua de casa. Nascido em Belo Horizonte, mas criado na Rua Turiassu, em São Paulo, a 500 metros do estádio Palestra Itália, no ano de 2000 foi a primeira vez que meu pai me autorizou a ir ao estádio só.
Daquele dia em diante, só fui cair na estrada pela primeira vez sozinho já em 2009, aos 21 anos de idade. Muito tempo depois da primeira partida do lado de casa, dessa vez eu ia conhecer o gigante Maracanã. Tomei um ônibus na Rodoviária do Tietê na manhã daquele dia 10 de outubro, feriado de Nossa Senhora de Aparecida, e parti rumo a Cidade Maravilhosa.
Já tinha meus 21 anos e fui com bastante receio, e também muito contra vontade de meu pai, que nos tempos de jovem cansou de viajar a Belo Horizonte para assistir o Cruzeiro de Tostão jogar, ou ao Maracanã assistir Zico e cia. Até hoje, já tenho 25 anos, qualquer frase que eu falo para o velho "acho que vou para Curitiba" ou "acho que vou para Porto Alegre" acredito que meu pai perde uns fios a mais de cabelo.
Voltando a história, a partida escolhida foi simplesmente uma final de Copa Mercosul. Nos anos de 1998, 1999 fui em muitas partidas do Palmeiras, umas por esse mesmo torneio continental, vencido pelo Verdão dois anos antes, outras por campeonatos como Paulista, Brasileiro e Copa do Brasil. Era do lado de casa. Ingresso nunca foi problema, tempo também nunca me faltou. Era só atravessar a Av. Pompéia e caminhar 300 metros.
Era dia 20 de dezembro de 2000. Convenci o velho a me deixar ir ao jogo. Setor muito bem escolhido: torcida do Vasco. Em Minas Gerais e São Paulo sempre tive times de preferência, mas no Rio de Janeiro já tive simpatia pela maioria, mas acredito que pela rivalidade com o Estado de São Paulo, nunca cheguei a torcer pela vitória de algum com muita vontade.
Encolhidos no cantinho do Parque Antártica, no espaço dos visitantes que ficava bem próximo ao conjunto aquático, no primeiro tempo assisti o Palmeiras fazer 3x0. Curiosamente, todos os três gols do lado oposto de onde eu estava. Confesso que para o visitante, ali a visão é péssima. Arce, Magrão e Tuta marcaram para o time da casa.
No intervalo o que se via era a torcida do Vasco desolada. Já aceitando a derrota, que daria ao Palmeiras o bicampeonato do torneio. Porém, o inacreditável aconteceu. O Vasco viraria a partida, com 3 gols do baixinho Romário e um do também baixinho Juninho Paulista. De novo todos os gols seriam marcados ao lado aposto de onde eu estava. Muita sorte, não?
Não sei se nunca esquecerei dessa partida pelo resultado, uma virada de 3x0 para 4x3, que não acontece todo dia, ou se porque pela primeira vez presenciei a idolatria de uma torcida pelo seu comandante. Não digo que o comandante era o técnico ou o artilheiro da camisa 11, mas sim o presidente, Eurico Miranda.
Cresci com duas noções futebolísticas muito definidas pelo meu pai: nunca gostar do Vasco, pois Eurico Miranda representava algo que ele detestava, e também nunca torcer pelo Alvinegro de Parque São Jorge, que pra ele era a regra 1 para eu poder assistir futebol. Ao fim da partida, os torcedores gritavam tanto o nome de Eurico, quanto dos jogadores e do time.
No dia seguinte, para piorar o desgosto do meu velho, meu tio vascaíno, casado com sua irmã, entrou em casa gritando "Vaaascccoooo". Naquele dia, a reação do meu pai foi tanta, que eu nunca mais simpatizei com o time da Colina de novo. Creio que durou apenas algumas horas na noite anterior.
Agora, o porquê dessa história? Bom, tento me colocar no lugar dos pais de Kevin, pois não saberia como reagir se fosse um filho, parente ou amigo meu. E reflito muito acreditando que um incidente desse poderia acontecer com qualquer um. Ou melhor, não deveria, mas infelizmente acontece.
Um dos fatos atenuantes deste caso na minha visão, é que a morte ocorreu dentro do estádio. Sinceramente, não me lembro a ultima vez que um torcedor morreu dentro de um estádio por conta da violência. No começo dos anos 1990, na Batalha campal do Pacaembu, ocorreu uma guerra entre Palmeiras e São Paulo. Imagino o que não repercutiu.
Infelizmente, por mais irônico que pareça, hoje em dia estamos "acostumados" com as mortes nos entornos dos estádios, ou em encontros que os vândalos marcam antes ou depois dos clássicos. Mas raramente dentro do estádio, com a bola rolando.
E pior do que isso. Quando bandidos se matam em encontros marcados, muitos de nós pensamos "o cara também procurou", "problema é dele". Agora, no caso de Kevin, é algo muito, mas muito indignante. Ele estava lá simplesmente para ver seu time estrear na Taça Libertadores 2013, e não conseguiu assistir mais do que 5 minutos de jogo.
Bom, aproveito este espaço e pergunto a você, raro e caro leitor, qual foi sua primeira partida, com e sem algum responsável? Você deixaria seu filho ir com 12 ou 14 anos a um estádio sozinho? Depois do ocorrido da semana passada, hoje, minha resposta seria não.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Conmebol pune Corinthians após assassinato de torcedor boliviano
O que pouca gente imaginava aconteceu na noite desta quinta-feira. Em nota emitida pela Confederação Sul Americana de Futebol (CONMEBOL), ficou decidido que, até que julguem as causas da morte do jovem torcedor Kevin, do San José, o Corinthians não poderá ter torcida em seus jogos no Pacaembu, em partidas da Libertadores 2013. Assim, em teoria, até o fim da competição terá que jogar com os portões fechados.
Além disso, estipulou-se que, quando o Alvinegro for visitante, seus aficionados não terão direito a carga de ingressos, ficando proibida a venda de ingressos para torcedores corintianos. A decisão, considerada cautelar (medida tomada em caso de urgência), é válida para um prazo de 60 dias ou até o julgamento.
Conhecida internacionalmente por não tomar nenhuma atitude perante torcidas que cometam infrações nos estádios, pela primeira vez a entidade continental se posicionou desde a criação do tribunal de julgamento, no fim de 2012/início de 2013. E, diga-se de passagem, muito rapidamente.
O Corinthians muito provavelmente servirá de exemplo para as outras torcidas (ou simplesmente torcedores, individualmente falando) que atuam dessa forma. Com a decisão, espera-se que não ocorra mais violência nos estádios de futebol, algo pouco provável, mas creio que seja um primeiro passo.
Acredito que o Corinthians, como clube de futebol, não tenha sido o maior prejudicado da história. Obviamente o maior prejudicado de todos foi o jovem que perdeu a sua vida, graças a um tiro de sinalizador marítimo, que atingiu sua face.
A frente da entidade Sport Club Corinthians Paulista, que deixará de ganhar muito dinheiro em renda (estipulam algo em torno de 15 milhões de reais), o grande prejudicado do ponto de vista futebolístico será o torcedor.
Mas, os torcedores que se sentem prejudicados não deveriam, na minha opinião, culpar a entidade Conmebol pela penalidade (até certo ponto não tão pesada, poderia até ser pior). Mas sim o torcedor que soltou o sinalizador (bengala, em espanhol) e todos aqueles que estavam em volta e o acobertaram, ao invés de entregá-lo para a polícia.
Confira a nota emitida pela entidade máxima do futebol sul-americano:
1 - Baseandose en el informe del árbitro, donde consta que:
En los primeros minutos de iniciado el juego, desde donde estaba ubicada la parcialidad visitante (Corinthians) fue lanzada una bengala, la misma que impactó en un menor de edad (14 años) del club (San José), el cual falleció producto de ese impacto.
2-Por ello, la Conmebol decidió adoptar dos medidas de forma cautelar (hasta que se tome una decisión final sobre el caso, y por un plazo máximo de 60 días):
A. Que todos los partidos de Corinthians como local en la Copa Bridgestone Libertadores 2013 sean a puertas cerradas.
B. Los clubes que enfrenten a Corinthians en el torneo tiene prohibido vencer o ceder entradas a favor de Corinthians o a sus seguidores.
Além disso, estipulou-se que, quando o Alvinegro for visitante, seus aficionados não terão direito a carga de ingressos, ficando proibida a venda de ingressos para torcedores corintianos. A decisão, considerada cautelar (medida tomada em caso de urgência), é válida para um prazo de 60 dias ou até o julgamento.
Conhecida internacionalmente por não tomar nenhuma atitude perante torcidas que cometam infrações nos estádios, pela primeira vez a entidade continental se posicionou desde a criação do tribunal de julgamento, no fim de 2012/início de 2013. E, diga-se de passagem, muito rapidamente.
O Corinthians muito provavelmente servirá de exemplo para as outras torcidas (ou simplesmente torcedores, individualmente falando) que atuam dessa forma. Com a decisão, espera-se que não ocorra mais violência nos estádios de futebol, algo pouco provável, mas creio que seja um primeiro passo.
Acredito que o Corinthians, como clube de futebol, não tenha sido o maior prejudicado da história. Obviamente o maior prejudicado de todos foi o jovem que perdeu a sua vida, graças a um tiro de sinalizador marítimo, que atingiu sua face.
A frente da entidade Sport Club Corinthians Paulista, que deixará de ganhar muito dinheiro em renda (estipulam algo em torno de 15 milhões de reais), o grande prejudicado do ponto de vista futebolístico será o torcedor.
Mas, os torcedores que se sentem prejudicados não deveriam, na minha opinião, culpar a entidade Conmebol pela penalidade (até certo ponto não tão pesada, poderia até ser pior). Mas sim o torcedor que soltou o sinalizador (bengala, em espanhol) e todos aqueles que estavam em volta e o acobertaram, ao invés de entregá-lo para a polícia.
Confira a nota emitida pela entidade máxima do futebol sul-americano:
1 - Baseandose en el informe del árbitro, donde consta que:
En los primeros minutos de iniciado el juego, desde donde estaba ubicada la parcialidad visitante (Corinthians) fue lanzada una bengala, la misma que impactó en un menor de edad (14 años) del club (San José), el cual falleció producto de ese impacto.
2-Por ello, la Conmebol decidió adoptar dos medidas de forma cautelar (hasta que se tome una decisión final sobre el caso, y por un plazo máximo de 60 días):
A. Que todos los partidos de Corinthians como local en la Copa Bridgestone Libertadores 2013 sean a puertas cerradas.
B. Los clubes que enfrenten a Corinthians en el torneo tiene prohibido vencer o ceder entradas a favor de Corinthians o a sus seguidores.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Corinthians empata na altitude, porém o resultado é o menos importante
O Corinthians empatou em 1 a 1 em partida válida pela primeira rodada da fase de grupos da Taça Libertadores, na noite desta quarta-feira, em Oruro, na Bolívia.
O resultado não condiz com o que foi o jogo. O Timão abriu o placar logo no início com Guerrero, teve diversas chances de aumentar o marcador, porém não foi competente.
Na segunda etapa, os bolivianos empataram da mesma forma que o clube paulista. Cruzamento na área e atacante live para marcar.
Entretanto, o que marcou a partida não foi o fato do campeão estrear na competição, em busca do bicampeonato, mas sim um fato isolado ocorrido ainda no primeiro tempo.
Ao comemorar o gol do time brasileiro, um torcedor que até momento não foi identificado, acendeu um sinalizador (marítimo) na direção da torcida adversária.
Esse torcedor, supõe-se que brasileiro, teve uma atitude típica de torcedores organizados em dias de clássico, quando rivais se enfrentam nas ruas, antes ou após as partidas.
Só que para infelicidade geral, o sinalizador acertou em cheio um torcedor do San José, no olho, levando o jovem de 14 anos a falecer ainda a caminho do hospital. O nome do jovem é Kevin Douglas Beltrán Espada, fanático torcedor do time local.
Durante o jogo, com a notícia da morte, os torcedores protestaram com vaias, xingamentos e até objetos lançados contra os reservas do Corinthians.
Doze torcedores corintianos estão detidos. Entre eles, creio que 6 ou 8 (não lembro o número certo) tiveram vestígios de fogos de artifícios encontrados no corpo, o que pode incriminá-los. Porém, todos os 12 negam que tenham participado do "atentado". O que me leva a pergunta: algum deles ia falar "Sim, fui eu, me prendam"?
Após o jogo o técnico do Corinthians, Tite, e o diretor Edu (ex-jogador), deram declarações, chorando e tentando se colocar no lugar da família da vítima. Tite chegou a dizer que trocaria a vida do jovem morto pelo título mundial de 2012. Nada que vá mudar o fato ocorrido.
O que conclui-se é, que a violência no futebol parece não ter limite. E que é preciso um choque de realidade para que os vândalos parem de agir como agem. Que seja exclusão do time ou de todos os times do país.
Se o Corinthians será punido de alguma forma? Acredito que é muito difícil. No máximo farão o time paulista pagar uma multa e olhe lá.
O que seria justo? Acredito que algo entre jogos com portões fechados (pesaria, e muito no bolso da diretoria), perda de pontos (3, 6, 9, sei lá) ou até exclusão do time, pagando pela atitude de um de seus "torcedores".
Enquanto isso, ficamos a espera do próximo caso de morte, seja no Brasil ou no exterior. Porque do jeito que as coisas andam, nada vai melhorar e as medidas serão sempre as mesmas, deixando impunes os responsáveis.
O resultado não condiz com o que foi o jogo. O Timão abriu o placar logo no início com Guerrero, teve diversas chances de aumentar o marcador, porém não foi competente.
Na segunda etapa, os bolivianos empataram da mesma forma que o clube paulista. Cruzamento na área e atacante live para marcar.
Entretanto, o que marcou a partida não foi o fato do campeão estrear na competição, em busca do bicampeonato, mas sim um fato isolado ocorrido ainda no primeiro tempo.
Ao comemorar o gol do time brasileiro, um torcedor que até momento não foi identificado, acendeu um sinalizador (marítimo) na direção da torcida adversária.
Esse torcedor, supõe-se que brasileiro, teve uma atitude típica de torcedores organizados em dias de clássico, quando rivais se enfrentam nas ruas, antes ou após as partidas.
Só que para infelicidade geral, o sinalizador acertou em cheio um torcedor do San José, no olho, levando o jovem de 14 anos a falecer ainda a caminho do hospital. O nome do jovem é Kevin Douglas Beltrán Espada, fanático torcedor do time local.
Durante o jogo, com a notícia da morte, os torcedores protestaram com vaias, xingamentos e até objetos lançados contra os reservas do Corinthians.
Doze torcedores corintianos estão detidos. Entre eles, creio que 6 ou 8 (não lembro o número certo) tiveram vestígios de fogos de artifícios encontrados no corpo, o que pode incriminá-los. Porém, todos os 12 negam que tenham participado do "atentado". O que me leva a pergunta: algum deles ia falar "Sim, fui eu, me prendam"?
Após o jogo o técnico do Corinthians, Tite, e o diretor Edu (ex-jogador), deram declarações, chorando e tentando se colocar no lugar da família da vítima. Tite chegou a dizer que trocaria a vida do jovem morto pelo título mundial de 2012. Nada que vá mudar o fato ocorrido.
O que conclui-se é, que a violência no futebol parece não ter limite. E que é preciso um choque de realidade para que os vândalos parem de agir como agem. Que seja exclusão do time ou de todos os times do país.
Se o Corinthians será punido de alguma forma? Acredito que é muito difícil. No máximo farão o time paulista pagar uma multa e olhe lá.
O que seria justo? Acredito que algo entre jogos com portões fechados (pesaria, e muito no bolso da diretoria), perda de pontos (3, 6, 9, sei lá) ou até exclusão do time, pagando pela atitude de um de seus "torcedores".
Enquanto isso, ficamos a espera do próximo caso de morte, seja no Brasil ou no exterior. Porque do jeito que as coisas andam, nada vai melhorar e as medidas serão sempre as mesmas, deixando impunes os responsáveis.
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